Mas essa oportunidade nunca tivera. Todos dormiam ainda enquanto ela tentava achar um modo de ficar e sentir se viva mais uma vez. Tinha sido tudo tão perfeito pra ela, desde o desembarque naquela amada metrópole até o fim do show. E os momentos passavam como flash por sua cabeça, o reencontrar de amizades velhas e distantes, a felicidade de revê-las, a satisfação de saber como estavam sendo boas aquelas pessoas em ajudá-la, não eram obrigação delas, entendem? De certo faziam isso porque verdadeiras amizades elas valorizavam. E sabiam o que é sonhar, lutar e não conseguir. A pequena menina seria eternamente grata pelo dia de serviço que a amiga de sua mãe havia desperdiçado para realizar o sonho da menina. Amanda dava tanto valor a tudo que havia acontecido...Mas antes que enfim, todos acordassem, ela antecipou-se a mandar uma mensagem para sua tão querida mãe. “Mãe, me deixa ficar mais um dia, eu te imploro! Sobrou dinheiro e dá pra eu ir ao show de novo, eu sei aonde é agora, dá pra eu ir sozinha, por favor, eu desisto de tudo, desisto do piercing, mãe te imploro, só mais uma chance de realizar novamente meu sonho”. O tempo conspirava contra ela e sua mãe simplesmente não a respondia, eis que chegara a hora de tomar o metro até rodoviária, respirar pela ultima vez os ares daquela cidade poluída. E como ela valorizava toda aquela poluição. Eis que sua alma se despedia de tudo que ali vivera pensando somente naquela ultima canção. O ônibus partira e deixara pra trás a cidade cinza e tudo que havia idealizado a pobre menina. Não tão longe da metrópole seu celular finalmente tocara e não havia de ser uma noticia boa, e não era, sua mãe não deixara com que ela ficara. Mas adiantaria se tivesse deixado? Já era tarde de mais, as dores da saudade já a haviam tomado. Como doía, só ela sabia como doía ter que abandonar o que ela não queria que tivesse fim. Mas certamente o que realmente doía era saber que ele ainda estava lá, que ele ainda voltaria aquele palco pra repetir aquela mesma performance, que ele voltaria a distribuir aos seus fãs aquele falso sorriso, era isso que a fazia perecer. Se tudo realmente estivesse acabado, se eles tivessem embarcado pra Argentina, talvez não doesse tanto. Mas como seria a sua noite sabendo que ele ainda estava aqui? Sabendo que estavam tão perto um do outro ao mesmo tempo em que sua maior inimiga era a distância? Não seria nada fácil. E disso ela sabia, seus olhos embebecidos em lágrimas eram vagos e perdiam meio a visão das matas na estrada que a indicava que cada vez mais estavam se distanciando. Novamente havia em seu corpo aquela ânsia, aquela sensação de confusa de desespero, de que querer fazer algo pra mudar e não poder fazer nada e isso acarretava a vontade de realmente desistir de tudo e quebrar as poucas coisas que a restara. Mas não adiantava mais lastimar o seu destino já havia sido cumprido e como ela odiava o seu destino.
Era quente a noite mas ele continuava com suas vestimentas de frio, de certo nem toda a nossa tropicalidade e nem o ardor de todo amor de seus fãs eram o suficiente para aquecê-lo, a cada dia que passava ele somente se tornava mais e mais frio, notavelmente. Ele agiu como agiria, tocou como tocaria, não sorriu como sorria, mas digamos que foi o que todos esperavam. Todos estavam ali, menos ela. Findara o ultimo show, ele se despediu do publico retirando se do palco como normalmente se retiraria, sem nenhuma emoção. Ele amava seus fãs e dava muito valor aos mesmos, ele tinha como primogênita paixão a música e tocar, para ele, era sentir-se parcialmente realizado. Parcialmente, porque ele sabia que ainda sim falta algo, faltava amor.segunda-feira, 3 de maio de 2010
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